Nota de imprensa GEOTA reúne com Ministério da Economia
Representantes do GEOTA reuniram, no passado dia 5 de Agosto, no Ministério da Economia e do Emprego, com o Secretário de Estado das Obras Públicas, Transportes e Comunicações. Os trabalhos centraram-se nas opções em matéria de mobilidade e energia em tempo de crise.

data
: 08-08-2011


Lisboa, 8 de Agosto de 2011

Representantes do GEOTA reuniram, no passado dia 5 de Agosto, no Ministério da Economia e do Emprego, com o Secretário de Estado das Obras Públicas, Transportes e Comunicações. Os trabalhos centraram-se nas opções em matéria de mobilidade e energia em tempo de crise.


Rede ferroviária

O GEOTA defendeu a concretização da ferrovia em bitola europeia Poceirão-Caia, embora com algumas correcções importantes: (i) rever o projecto para linha mista de passageiros e mercadorias; (ii) garantir a futura inter-operabilidade com a rede europeia UIC em matéria de sinalização e electrificação; (iii) cancelar a linha paralela em bitola ibérica originalmente destinada a mercadorias; (iv) estender a linha até ao Pinhal Novo, o nó de passageiros mais próximo do Poceirão; (v) adquirir material circulante de bitola variável, permitindo que o comboio faça o percurso Lisboa-Madrid pela ponte 25 de Abril; (vi) estender a linha em bitola europeia aos portos de Sines e Setúbal.


Esta deve ser a primeira peça de uma rede ferroviária moderna em bitola europeia; seguindo-se, na medida das possibilidades financeiras do País, outras ligações estruturantes em bitola europeia, mistas (passageiros e mercadorias). Paralelamente, deve ser estudada a reconversão da rede ferroviária actual. A terceira travessia do Tejo, apenas ferroviária, virá a ser necessária mas não é urgente; o projecto deve ser completamente repensado, no contexto mais largo do nó ferroviário e da mobilidade multimodal na Área Metropolitana de Lisboa.


Ferrovia ligeira

O GEOTA defendeu a densificação das redes ferroviárias ligeiras, incluindo o Metro de Lisboa, o Metro Sul do Tejo, a rede de eléctricos rápidos de Lisboa, o Metro do Porto, entre outras — única forma de melhorar decisivamente as redes de transporte público, bem como reduzir a poluição e o congestionamento no centro das cidades.


Auto-estradas

O GEOTA defendeu a suspensão e reapreciação de todos os projectos de auto-estradas e vias rápidas projectados, aprovados ou em curso. Portugal tem uma rede de auto-estradas sumptuária, de que boa parte teria sido substituída com vantagem por ICs. Entre outros projectos a “chumbar”, no futuro próximo não deve ser feita mais nenhuma travessia rodoviária do Tejo em Lisboa.


Novo aeroporto de Lisboa

O GEOTA apresentou informação demonstrando que o aeroporto da Portela está longe da saturação e tem das melhores condições de operabilidade da Europa, não se justificando de forma alguma avançar nos próximos anos para um novo aeroporto de Lisboa. Justifica-se, sim, a remodelação da Portela, incluindo o prolongamento do taxiway e outras beneficiações no sentido de optimizar a segurança, capacidade e operações do aeroporto.


Política energética

O GEOTA defendeu uma política energética virada para a eficiência, seja ao nível das opções de infra-estruturas ou dos incentivos económicos. Os transportes públicos e alternativos devem ser apoiados, numa lógica multi-modal, mantendo tarifas sociais. Investimentos em uso eficiente da energia, pelas famílias ou empresas, devem ser apoiados através de benefícios fiscais. Devem acabar os subsídios à produção de energia (salvo projectos de demonstração em tecnologias emergentes) e ser reposta a transparência no mercado da energia, elevando os preços dos produtos energéticos para o seu custo real, de acordo com o princípio do utilizador-pagador. Projectos faraónicos como o programa nacional de barragens ou os subsídios ao carro eléctrico devem ser cancelados.


Contactos: João Joanaz de Melo, geota@geota.pt, www.geota.pt