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Comunicado: Oportunidades de Pesca 2018
Ministros da UE fazem progressos mas teimam em adiar o fim da sobrepesca. Portugal volta a estar entre os menos ambiciosos e transparentes - Posição da PONG Pesca

data
: 13-12-2017

Oportunidades de Pesca 2018 – Ministros da UE fazem progressos mas teimam em adiar o fim da sobrepesca. Portugal volta a estar entre os menos ambiciosos e transparentes

Lisboa, 13 de dezembro de 2017

Às primeiras horas de hoje, os Ministros das Pescas da União Europeia reunidos em Conselho em Bruxelas
decidiram as possibilidades de pesca para 2018, num processo mais uma vez marcado pela falta de transparência.
À semelhança de anos anteriores, uma boa parte dos pareceres científicos voltaram a ser ignorados e a grande maioria das quotas foi estabelecida acima de níveis que permitam o rendimento máximo sustentável (RMS), conforme exigido pela Política Comum das Pescas (PCP). Portugal voltou a estar entre os menos ambiciosos, tendo mais uma vez optado por objetivos de curto prazo, em vez de privilegiar a sustentabilidade ambiental e também socioeconómica. No caso da sardinha ibérica, as decisões ficaram adiadas para o início do ano, mas o pedido da Comissão Europeia para o plano de recuperação ser avaliado pelo Comité Científico, Técnico e Económico da Pesca (CCTEP) foi acolhido positivamente pelas organizações da PONG-Pesca*.
Em vigor desde 2014, a PCP reformada determina que os stocks têm de ser restabelecidos progressivamente e mantidos acima dos níveis de biomassa que permitem obter o RMS antes de 2020. Qualquer adiamento desta meta só pode ser aceite “se tal comprometer seriamente a sustentabilidade social e económica das frotas de pesca envolvidas” (preâmbulo 7). ”Numa análise preliminar podemos afirmar que terão sido feitos progressos para atingir as metas da PCP, mas abaixo do que seria necessário e sem que tenham sido tornados públicos os argumentos socioeconómicos que justificaram o protelar destas metas”, disse Gonçalo Carvalho, coordenador da PONG-Pesca.
Portugal não terá sido exceção a esta tendência geral, uma vez que várias das quotas estabelecidas para
espécies importantes para o país terão excedido o aconselhamento científico entre as quais o biqueirão, as raias e a pescada, sendo que para a última terá havido um compromisso para atingir o RMS já em 2019. É particularmente preocupante que se permita um aumento da captura de grupos como as raias, que incluem espécies ameaçadas com estatuto de conservação1.
Os membros da PONG-Pesca ficaram ainda perplexos com a tentativa de exceder o parecer científico para o
carapau durante as negociações, um stock que nos últimos anos tem sido explorado a níveis sustentáveis.
“Sabendo que o nível recomendado não estava abaixo das quantidades que têm sido capturadas por Portugal nos últimos anos, não conseguimos compreender porque é que a Sra. Ministra e a sua equipa se terão batido por uma quota excessiva que, para além de ir contra o aconselhamento científico, desvalorizaria ainda mais o preço desta espécie. A PONG-Pesca congratula o esforço da Comissão Europeia em salvaguardar este stock”, salientou Gonçalo Carvalho.
A exploração sustentável dos recursos naturais implica forçosamente o respeito pelos pareceres científicos,
pela transparência dos processos decisivos e pela inclusão de todos os envolvidos. No caso das pescas, valorizando comercialmente o que é capturado e procurando alternativas para o sector. Em Portugal, é urgente uma mudança de paradigma no que toca à gestão pesqueira, estamos a falar de bens comuns que dependem de ciclos naturais que não controlamos. Assim, é imperativo que as decisões sejam tomadas tendo em conta o benefício comum. A PONG-Pesca lamenta que, nos últimos meses, o esforço para um diálogo produtivo e construtivo com a Senhora
Ministra do Mar tenha sido inglório. “Estamos a falar de recursos que são públicos e como tal é fundamental que sejam ouvidas todas as partes interessadas, incluindo as organizações de defesa do ambiente”, acrescentou o mesmo responsável.
Esta mudança de paradigma é particularmente urgente para a sardinha, tendo em conta o estado crítico em
que se encontra. Embora não esteja incluído nos stocks geridos pela UE, foi também discutida a situação da
sardinha ibérica, tendo a Comissão Europeia decidido enviar para o seu organismo científico independente
dedicado às pescas - o CCTEP - o plano de recuperação apresentado por Portugal e Espanha para ser avaliado, para além de ter instado os dois países a apresentarem medidas de proteção dos juvenis mais profundas. Estas decisões foram consideradas positivas pelos responsáveis da PONG-Pesca.

Contactos:
Gonçalo Carvalho (coordenador da PONG-Pesca), pong.pesca@gmail.com | 936257281
Ana Almeida (SPEA), ana.almeida@spea.pt | Carla Dâmaso (OMA), carladamaso@oma.pt
Claudia Correia (APECE), claudia.sds.correia@gmail.com | 918465215 | José Maria Candeias (GEOTA), zecandeias@gmail.com
Marisa Batista (LPN), marisa.batista@lpn.pt | Rita Sá (WWF-Portugal), rsa@wwfmedpo.org - 914517337
Tereza Fonseca (Quercus), terezafonseca@quercus.pt – 967538597

* Associação Portuguesa para o Estudo e Conservação dos Elasmobrânquios (APECE), Grupo de Estudos do Ordenamento do Território e Ambiente (GEOTA), Liga para a Protecção da Natureza (LPN), Observatório do Mar dos Açores (OMA), Associação Nacional de Conservação da Natureza (Quercus), Associação de Ciências Marinhas e Cooperação (Sciaena), Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves (SPEA) e WWF Portugal – World Wildlife Fund for Nature.

 
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