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Alterações Climáticas exigem menos barragens, não mais
O GEOTA refuta as declarações de António Sá da Costa, presidente da Associação Portuguesa de Energias Renováveis - APREN

data
: 27-10-2017

Alterações Climáticas exigem menos barragens, não mais


O GEOTA refuta as declarações de António Sá da Costa, presidente da Associação Portuguesa de Energias Renováveis - APREN, proferidas quarta-feira, 25, na conferência anual da organização. Os ambientalistas consideram que as afirmações sobre a necessidade de mais barragens não têm sustentação científica e que ignoram completamente as consequências das Alterações Climáticas

"Se temos um clima semi-desértico, e se queremos água no verão na estação seca, precisamos de barragens. Queixamo-nos que há seca, dos incêndios, que não há água para beber, para regar, ou para apagar fogos. Mas a única forma de armazenar água são as barragens".

"Nós preocupamo-nos com o lobo ibérico, com o morcego, e não nos preocupamos com o homo sapiens lusitano. Se não preservamos o homo sapiens lusitano ninguém mais nos vem defender".
António Sá da Costa, presidente da APREN, a 25 de outubro, na conferência anual da organização, citadas pelo Jornal de Negócios, na sua edição online.

O GEOTA - Grupo de Estudos de Ordenamento do Território e Ambiente refuta as palavras citadas e considera-as irresponsáveis e populistas, num quadro de seriedade e rigor que deve pautar a intervenção pública de dirigentes de organismos da sociedade civil.

As projeções produzidas e verificadas por centenas de cientistas do Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas - IPCC (uma organização mundial criada pela ONU que analisa e reporta a investigação produzida na área), no seu último relatório, são claras no que à produção de eletricidade diz respeito: prevê-se que a produção hidroelétrica diminua em todas as sub-regiões europeias, com exceção da Escandinávia, alcançando até menos 15% no sul da Europa, até 2050.

Os aproveitamentos hidroelétricos necessitam de níveis de armazenamento mínimos para operar. As condições climáticas atuais e futuras apontam para uma redução e maior variabilidade de precipitação. O mês passado foi o mais seco dos últimos 87 anos em Portugal Continental e a 30 de setembro o Instituto Português do Mar e da Atmosfera considerou que 81 % do território estava em seca severa, 7 % em seca extrema e que o ano hidrológico passado (1 de outubro de 2016 a 30 de setembro de 2017) foi o 9º mais baixo, desde 1931, em termos de precipitação.

“Estes valores mostram que devíamos estar a promover outras formas de produção de energia, como a solar, a par de um maior esforço em matéria de eficiência energética, que é a abordagem mais barata e com efeitos mais positivos no emprego e no ambiente. Não só não podemos ficar reféns da eletricidade produzida em barragens, como não faz qualquer sentido defender que se construam novas”, sustenta Joanaz de Melo, dirigente do GEOTA.

Ana Brazão, do GEOTA, coordenadora do projeto Rios Livres, defende que o paradigma do aumento da produção tem de ser substituído pelo da racionalidade: “Os recursos são finitos. As empresas deviam estar a estudar como vão adaptar as suas centrais de produção às alterações climáticas, e assim garantir também a segurança do abastecimento — de água e de energia. A Entidade Reguladora dos Serviços de Águas e Resíduos estima que, em 2015, cerca de 30% de toda água da rede que abastece as nossas casas perdeu-se antes de chegar às torneiras».

Para a organização a tese de que para combater a seca é preciso mais barragens não faz sentido no atual cenário de alterações climáticas. Ana Brazão, explica que “o armazenamento de água em albufeiras é vital para o abastecimento público e a produção elétrica, mas não é a resposta à seca ou aos incêndios. As barragens, em países como Portugal, não aumentam a resiliência às alterações climáticas”.

“Os índices de evaporação em albufeiras são significativos e as práticas florestais e agrícolas terão de possibilitar uma maior absorção de água nos solos, em vez de promover o seu escoamento. As secas vão continuar, a forma como nos preparamos para elas é que tem de mudar”, alerta a ambientalista.

Joanaz de Melo denuncia a falácia de prometer obras como solução para todos os problemas. “A complexidade e impactes de uma barragem têm de submeter-se a legislação comunitária e nacional, em primeiro lugar para defender as pessoas. Os lobos e os morcegos são protegidos por lei, não por um qualquer devaneio, mas porque são essenciais ao equilíbrio dos ecossistemas que suportam a nossa vida, e também emblemáticos de uma sociedade evoluída, que preza a Natureza.
Nos recentes conflitos com as novas barragens, nos rios Sabor, Tua e Tâmega, nem as pessoas nem a Natureza foram defendidas. Mais do que valores ecológicos, estas barragens estão a destruir valores culturais e ativos económicos. Quem mais perdeu nestes processos foram os habitantes humanos das regiões periféricas, abandonados pelo poder político-económico, espoliados do seu património e enganados com promessas vãs."

 
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