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Dia Mundial da Terra
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São necessárias medidas urgentes que promovam a mudança de padrões e hábitos de consumo e de hábitos abrangendo de forma integrada a agricultura, as florestas o habitar: ou seja, o Ordenamento do Território. Medidas que passam pelos instrumentos económicos e de política, mas também, e principalmente, por mudanças de comportamento dos consumidores.

data
: 22-04-2012

Dia Mundial da Terra
22 de Abril


Diz-me o que comes e como comes, dir-te-ei quem és…



No âmbito das comemorações do Dia Mundial da Terra (22 de Abril) o GEOTA emite a sua posição relativamente à forma como são as pessoas se alimentam e consequentemente como os recursos alimentares são produzidos, processados e distribuídos e as consequências desses factos para a Economia, a Saúde Pública e o Ambiente.


São necessárias medidas urgentes que promovam a mudança de padrões e hábitos de consumo e de hábitos abrangendo de forma integrada a agricultura, as florestas o habitar: ou seja, o Ordenamento do Território. Medidas que passam pelos instrumentos económicos e de política, mas também, e principalmente, por mudanças de comportamento dos consumidores.

 


 


Diz-me o que comes e como comes, dir-te-ei quem és…
Lisboa, 20 de Abril de 2012


No dia 22 de Abril celebra-se o dia mundial da Terra. Os nossos hábitos, os gestos de cada um, por pequenos e insignificantes que sejam são cruciais, pois todos somados podem orientar para caminhos de sustentabilidade e de futuro, ou pode conduzir-nos à degradação e à insustentabilidade. A forma como nos alimentamos, as escolhas alimentares que fazemos sempre foi e será um reflexo da saúde da nossa sociedade.


Os últimos anos têm demonstrado, claramente, a vulnerabilidade do sistema que criámos, com um aumento preocupante dos preços dos bens alimentares, provocados por vários motivos, entre os quais a escalada de preços de combustíveis, o aumento da procura de cereais para biocombustíveis, a crise financeira mundial e o próprio sistema produtivo e de distribuição de produtos alimentares de longa distância.


A alimentação humana envolve cerca de 25% das emissões de dióxido de carbono equivalente (CO2), ou seja, cada português em média emite cerca de 5 kg de CO2 por dia devido à sua alimentação (emite no total 20 kg/dia). A agricultura tem uma parte substancial mas outra parte não menos importante está na logística alimentar ou seja alimentos produzidos cada vez mais longe e comidos durante todo o ano, o que acarreta grandes consumos de energia no seu transporte e conservação. Também a produção de adubos de síntese, nomeadamente adubos azotados têm um papel relevante, superior ao consumo directo na agricultura (gasóleo e electricidade).


Cerca de metade da produção mundial de cereais e leguminosas é utilizada para alimentação animal para fornecer carne, leite e ovos às pessoas. No entanto, Portugal consome cerca de três vezes mais deste tipo de alimentos do que é recomendável para uma população saudável e equilibrada. Segundo o último relatório do INE sobre a Balança Alimentar Portuguesa, os portugueses comem poucas frutas, vegetais e leguminosas (feijão, tremoços, lentilhas, favas e ervilhas, etc) e exageram nas carnes, ovos e gorduras de origem animal.

A cada português foram disponibilizados em 2008 (último ano com estatísticas conhecidas) cerca de 3900 kcalorias por dia. Considerando que cada pessoa deveria ingerir entre 2000 e 2500 kcal por dia, vemos assim que com os mesmos alimentos Portugal poderia alimentar mais de 16 milhões de pessoas.
Portugal depende para a sua alimentação de cerca de 30% do exterior [2]. Este valor poderia ser substancialmente reduzido se a alimentação dos portugueses fosse mais rica em frutas e legumes e muito menos dependente de proteína e gordura de origem animal. Note-se que são necessárias 7 a 11 proteínas de origem vegetal para produzir uma proteína de origem animal sob a forma de leite, carne, ovos ou peixe em regime de aquicultura.


Segundo um relatório do Fundo Mundial para a Investigação em cancro (WCRF/AIRC 2007 report), cada pessoa deve ingerir pelo menos 600g/dia de frutas e legumes e não ultrapassar as 300g/semana de carne vermelha (43g/dia). A Balança Alimentar Portuguesa atribui menos de meio kilograma por dia para frutas e legumes. Muito abaixo do que seria recomendável para ter uma população saudável e com menores gastos em saúde.


Acresce que a produção e o consumo preferencialmente locais, para além dos óbvios benefícios económicos para as comunidades, implicam também um uso mais reduzido de embalagem, de sistemas de armazenamento, conservação, refrigeração, distribuição, implicando logo à partida um esforço menor da produção global de resíduos de embalagens e indiferenciados, da sua logística de tratamento e da energia consumida, bem como outros benefícios colaterais.


Como as frutas e os legumes podem ser produzidos localmente e os cereais e oleaginosas para alimentação animal são maioritariamente importados (milho, girassol, soja, etc.), reduzir o consumo de proteína e gordura de origem animal é uma medida em que todos ganham:


• Melhoria da saúde pública e diminuição da obesidade;
• Redução dos gastos com as importações;
• Diminuição dos gastos com a saúde, quer das pessoas, quer do SNS;
• Melhoria do ambiente pela redução do consumo de recursos, da produção de resíduos (de embalagens e orgânicos) e da diminuição das emissões equivalentes de dióxido de carbono;

Neste Dia Mundial da Terra é esta a proposta que o Geota faz:


1 – Alimentação produzida localmente (menos de 100 km de distância);
2 – Alimentos produzidos o mais saudavelmente possível de preferência sem recurso a adubos e fitofármacios de síntese;
3 – Aumentar o consumo de frutas e legumes em pelo menos 20%;
4 – Diminuir para metade o consumo de proteína e gordura de origem animal especialmente se produzida em ambiente estabulado;

Fontes:
1 – INE, Balança Alimentar Portuguesa, Lisboa, Novembro de 2010:
http://www.ine.pt/xportal/xmain?xpid=INE&xpgid=ine_publicacoes&PUBLICACOESpub_boui=12365884&PUBLICACOESmodo=2&xlang=pt
2 – GPP, Gabinete de Planeamento e Políticas, www.gpp.pt
3 – WCRF/AIRC report 2007 - http://www.dietandcancerreport.org

 
     
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