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Posição do GEOTA no Dia Mundial do Turismo
O turismo sustentável não é uma questão de opção, é uma questão de sobrevivência que nos envolve a todos.

data
: 27-09-2011

Posição do GEOTA no Dia Mundial do Turismo

Lisboa, 27 de Setembro de 2011

Turismo – A maior indústria do mundo

As viagens e o turismo, apesar da conjuntura económica mundial, estão progressivamente a recuperar, tendo contribuído em 2010 para cerca de 5% do produto interno bruto mundial, 6 a 7% ao nível do número de postos de trabalho, directos e indirectos, e registando uma expectativa de crescimento de 4% ao ano, de acordo com os últimos dados apresentados pela Organização Mundial de Turismo. Em termos de chegadas turísticas internacionais, depois das quebras provocadas pela crise financeira e recessão económica mundial em finais de 2008 e 2009, assistiu-se em 2010 a um incremento de 6,6% deste indicador, que atingiu 940 milhões de chegadas. Espera-se ainda que os números de chegadas turísticas internacionais quase dupliquem em 2020, para 1,6 mil milhões.

Em Portugal, o turismo assume-se como um sector de extrema importância na economia, variando, consoante os anos, entre 7 e 11% na última década para o PIB nacional. Emprega, directa e indirectamente, meio milhão de pessoas, sendo também uma importante fonte de investimento e desenvolvimento para um elevado número de áreas periféricas, apresentando-se também em recuperação, com uma expectativa de crescimento das receitas do turismo a rondar os 7%. É de destacar ainda que o turismo é o maior sector exportador do país, tendo representado cerca de 14% do total de exportações de bens e serviços em 2010, de acordo com os dados da Conta Satélite do Turismo de Portugal (INE, 2010).

Turismo e Sustentabilidade

O fenómeno turístico é um agente que tem provocado grandes impactes, tanto pela sua enorme repercussão económica e social, como pela incrível transformação que a paisagem costeira tem sofrido, na convergência do fenómeno de litoralização que se tem verificado em todos os países costeiros do Mediterrâneo e da Europa. É frequente, em muitos pontos da nossa costa, uma edificação abusiva (por vezes licenciada pelas autoridades competentes), cujos efeitos sobre a instabilidade das arribas e da gravidade dos riscos de desmoronamento e vulnerabilidade a fenómenos climáticos e sísmicos extremos aumentam.

Hotéis, transporte de turistas e actividades relacionadas consomem quantidades enormes de energia, água e outros recursos e geram poluição e resíduos, frequentemente em destinos que não se encontravam preparados para lidar com esses impactes. E muitas comunidades sofrem choques culturais e outras alterações indesejadas que acompanham os números elevados de visitantes. Embora, nos últimos anos, a ameaça do terrorismo, a agitação política e a crise económico-financeira mundial tenham reduzido o número de viagens internacionais, a médio e longo prazo, é esperado que a procura turística continue a crescer.

A sociedade está cada vez mais consciente de que o território e o ambiente são um património a preservar, melhorar e gerir. Este conceito adopta um papel chave no caso do turismo e, particularmente, no turismo sustentável. O território já não é, simplesmente, um cenário que serve de suporte à actividade turística, mas é parte essencial da mesma actividade. O ambiente não é uma decoração ou uma moda, mas sim um factor determinante na qualidade e singularidade da experiência turística.

A protecção da paisagem e de inúmeros espaços importantes para a conservação e manutenção do contínuo natural que resultaram da interacção cuidada e cautelosa da acção humana e da Natureza, durante milénios, constitui uma prioridade absoluta que é necessário fazer compreender a todas as partes interessadas na actividade turística: investidores, decisores, técnicos e, muito especialmente, as populações locais.

Mais do que isso, é responsabilidade de toda a sociedade o criar de condições, político-administrativas, económicas, legislativas e regulamentares, culturais, infra-estruturais, para demonstrar que vale a pena proteger o nosso património natural e cultural, que vale a pena proteger as nossas áreas costeiras, as nossas ilhas, as nossas reservas marinhas, o nosso mar, esse imenso Portugal.

O turismo sustentável é uma questão importante e deve ser integrado em todas as áreas do sector, independentemente da dimensão das empresas. Não tem a ver com a quantidade de capital investido ou com o modelo de negócio, mas sim com a forma como os aspectos socioculturais, económicos e ambientais intervêm como valores a gerir.

A certificação ambiental é uma ferramenta de diferenciação internacional reconhecida mas com baixos níveis de implementação no sector. O desafio mais ambicioso é captar o interesse dos empresários até agora pouco motivados para estes aspectos. O desenvolvimento da performance ambiental com base nas exigências do consumidor é positivo mas tem ocorrido lentamente.

Sobre a certificação dos empreendimentos turísticos, verifica-se a existência de um número demasiado elevado de rótulos no mercado, o que pode gerar confusão e, a certo ponto, enfraquecer o seu valor. A certificação deve ser vista com um “prémio” de reconhecimento e não como o objectivo principal para a implementação de sistemas de gestão ambiental, de qualidade ou outros.

O assumir, por parte das empresas da conglomeração do turismo, da sua responsabilidade social e ambiental é um factor necessário, mas não suficiente para assegurar a sustentabilidade da actividade turística. Mais importante que as politicas, boas práticas, a melhoria contínua e certificação das empresas, interessa a sustentabilidade dos destinos turísticos, no seu todo, como factor de competitividade e atractividade, face à concorrência cerrada de alguns destinos emergentes, exóticos e menos onerosos (América do Sul, Norte de África, Turquia, Caraíbas, Ásia e Pacífico), de crescente expressão no mercado internacional. É, por isso, fundamental, por parte dos empresários nacionais, uma atitude de antecipação face às exigências do consumidor.

Qualquer plano estratégico para o turismo nacional que se venha a configurar no futuro em Portugal deverá ter a sua contraparte eficaz nos instrumentos de gestão territorial e nos instrumentos de política de ambiente em vigor ou em preparação.

O turismo sustentável não é uma questão de opção, é uma questão de sobrevivência que nos envolve a todos.

Contactos – Helder Careto Tel 21 395 6120 (GEOTA)

 
     
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O GEOTA é uma associação de defesa do ambiente, de âmbito nacional e sem fins lucrativos, em actividade desde 1981