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Artigo de opinião para o Fórum do Diário de Notícias
João Joanaz de Melo (professor de Engenharia do Ambiente, Presidente do GEOTA)

data
: 08-12-2009

Copenhaga: um caldeirão de desafios profundos, retórica inflamada e interesses contraditórios

De 7 a 18 Dezembro 2009 as atenções mundiais vão estar focadas na 15ª conferência das partes (COP15) da Convenção sobre Alterações Climáticas das Nações Unidas.

Temos pela frente o enorme desafio da crise climática. A melhor informação científica disponível indica de forma avassaladora que estamos perante uma alteração climática profunda, cuja principal causa é a actividade humana, em especial a emissão de gases de efeito de estufa (GEE), combinada com a sobre-exploração de recursos como o solo, a água e as florestas. Os riscos são conhecidos: aumento dos fenómenos climáticos extremos (secas, cheias, temporais), aumento do nível do mar, mudança dos padrões de chuva, possível carência alimentar, degradação da biodiversidade.

Têm vindo a público polémicas quer sobre a validade de alguns dados científicos, quer sobre o acerto das medidas em discussão em Copenhaga. É certo que não temos certezas absolutas sobre a magnitude e o alcance da mudança climática; mas sabemos que muitas mudanças gravosas já observadas são consequência da acção humana; e acima de tudo, sabemos que a nossa intervenção, ou inacção, nos próximos anos, pode agravar ou aliviar significativamente a dimensão e as consequências do fenómeno.

Os líderes mundiais sabem que não podemos dar-nos ao luxo de esperar mais. Mas estamos perante uma equação difícil. Cada país tende a defender os interesses domésticos mais obsoletos; os lobbies do sector energético e outros procuram rentabilizar a crise a seu favor; cada actor procurará o máximo de protagonismo com o mínimo de compromissos. O mediatismo é positivo porque mobiliza a opinião pública e pressiona os políticos a tomar decisões; mas tem o efeito perverso de, em vez de mudanças estruturais, incentivar soluções imediatistas, por vezes ineficazes ou com consequências negativas a outros níveis (social, ecológico).

Em síntese, o que se espera dos líderes mundiais em Copenhaga é que imponham compromissos firmes, equitativos e exequíveis para conter a emissão de GEE; privilegiando medidas custo-eficazes.

Que medidas deverão ser essas? Algumas dicas aplicadas a Portugal:

1. Eficiência energética. O potencial de poupança de emissões de GEE nos edifícios, transportes e indústria, com a tecnologia presente, ascende a 30 a 40% do total dos consumos – com custos muito mais baixos do que incrementar a produção com novas fontes;

2. Medidas económicas. O preço unitário da energia terá que subir; isto terá de ser compensado com incentivos (p.e. benefícios fiscais) na aquisição de equipamentos eficientes – famílias e empresas com bom comportamento devem ser beneficiadas;

3. Políticas integradas. Adianta pouco substituir carros a gasolina por eléctricos – é preciso, sim, apostar seriamente na requalificação urbana e nos transportes públicos, em especial os modos ferroviários suburbanos e de longa distância (não necessariamente TGV), em vez de fazer mais auto-estradas inúteis;

4. Energias descentralizadas e renováveis de baixo impacte. Há que generalizar a micro-geração, co-geração, solar térmico, valorização de resíduos. Vento, geotermia, biomassa são igualmente importantes, acautelando os seus impactes negativos;

5. Acabar com as miragens. O caso mais escandaloso em Portugal são as barragens, alardeadas como “energia renovável” pelo Governo, EDP e Iberdrola. As 12 grandes barragens propostas representarão menos de 1% das necessidades energéticas do País, com impactes sociais e ecológicos brutais, efeito irrelevante no controlo de GEE, e com um custo 10 (dez) vezes superior à satisfação das mesmas necessidades por via do uso eficiente da energia;

6. Investigação. Entre a eficiência energética e as energias renováveis de baixo impacte, está ao nosso alcance reduzir 50% o uso de combustíveis fósseis. O resto terá de ser conquistado com novas tecnologias, ou seja, com recurso à investigação científica e tecnológica.

7. Cidadãos activos. Este é talvez o factor mais importante de todos. Muito há a fazer, que depende não só dos líderes nacionais e mundiais, mas de cada cidadão do Mundo – no comportamento de cada um em casa, na escola ou no emprego, mas também nos clubes, partidos, ONG e intervenção cívica.

 
     
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O GEOTA é uma associação de defesa do ambiente, de âmbito nacional e sem fins lucrativos, em actividade desde 1981