(Logo Coastwatch) Clique para ir para a página inicial
Novidades
Coastwatch Europe
Coastwatch Portugal
Campanhas
Questionário
Projectos Associados
Limpa a Praia (jogo)
Apoios
Links
Contactos

 

 

 
 Campanhas
Coastwatch Europe

 

> Seminários

> Relatórios

> Coastwatch regional

> Artigos

> Fotografias

 

Conclusões do Seminário Coastwatch 2004/05

As potencialidades do litoral

[Seminário Coastwatch 2004/05]

Centro Cultural de Vila Real de Santo António

28, 29 e 30 de Abril de 2005

PAINEL COASTWATCH

De entre os diferentes aspectos que esta campanha pretendeu mostrar, realça-se uma maior área de costa monitorizada (1069,5km), muito embora a região Norte tenha tido a sua menor cobertura das últimas campanhas. Quanto ao número de participantes, apesar de um ligeiro decréscimo em relação à campanha transacta (total de 4222) registou-se uma maior diversidade de entidades envolvidas, em que o trabalho de parceria trouxe os seus frutos. Mais uma vez se provou que as parcerias são essenciais para que projectos desta índole vinguem.

Conquanto o esforço da equipa coastwatch em dar à campanha 2004/05 um título sugestivo para assinalar aspectos positivos, a atenção dos participantes recaiu sobre ângulos menos agradáveis: quantitativo de resíduos considerável; erosão marinha intensa por razões antrópicas e naturais; pressão turística excessiva, elevada artificialização da costa. Porém, a tónica geral reforçou uma forte vertente de Educação Ambiental.

No que respeita ao Coastwatch Regional, Vila Real de Stº António focou os aspectos negativos mais assinalados pelos participantes sem, no entanto, deixar de referenciar as potencialidades que o Concelho ainda possui. Foi agradável constatar que a comunicação referente ao bloco 42 (elaborado pela Escola EB 2,3 de Pinhal dos Frades) conseguiu descobrir as potencialidades encontradas no concelho em que a indústria desactivada é considerável. No geral os comentários ao projecto foram favoráveis, salvaguardando alguns comentários a situações do litoral de Altura – Manta Rota.

 topo


MESA REDONDA I: TURISMO SUSTENTÁVEL EM ÁREAS DO LITORAL

Este painel foi moderado pelo Professor Doutor Francisco Andrade, que realçou os diversos conceitos de sustentabilidade, ao longo do tempo; “a diferença entre crescimento económico e desenvolvimento económico é crucial para se perceber qual o modelo turístico português”. Assinalando-se a tónica de que o modelo sol e praia precisa ser revitalizado, talvez para um domínio de desenvolvimento oceânico. Em termos regionais, o Algarve espelha vários pontos negativos (sazonalidade; falta de legislação adaptada e eficaz; burocracia excessiva; má gestão do litoral). Mas acima de tudo há que ter bem patente que o consumidor actual difere dos anos 60 - existe uma preocupação ao nível do triângulo: saúde/ética/ambiente.

Segundo a opinião do Presidente da Câmara Eng.º António Murta, permanece uma falta de equilíbrio turístico no Algarve; no entanto há que saber aproveitar a diversidade de ofertas – por exemplo no âmbito do turismo de desporto, como forma de fazer frente à sazonalidade. Vila Real de Sto António, pelo seu extenso areal integrado no perímetro da mata de Monte Gordo e respectiva qualidade do ar, oferece excelentes condições para a prática do desporto. Daí que a via para cicloturismo tivesse sido abraçada por todas as autarquias, desde Espanha e Sagres.

Para Dr. Paulo Cruz, representante da CCDR Algarve, urge apostar no trabalho sectorial, parcerias na educação ambiental e valorizar o litoral, porque a confusão entre actividade turística e imobiliária conduz a um conflito que se pode denominar “imobiliária VS turística”, com associação ao risco, degradação da paisagem e qualidade da água. As questões que se colocam e sobre a qual convém reflectir para encontrar resposta são: aprendeu-se com os erros do passado? evitam-se a sua repetição? quem legisla?
Para a Dr.ª Ana Ferreira, representante da Escola Superior de Gestão Hotelaria e Turismo “Não se faz negócio se o turismo não for sustentável”! Premissa sobre a qual assenta a formação de gestores de turismo formados pela ESGHT. E porque hoje em dia o público é exigente, a qualificação dos recursos é crucial; não só num domínio litoral, mas também o conhecimento do meio rural e património.

 topo


MESA REDONDA II: CONSERVAÇÃO DA NATUREZA EM ÁREAS DO LITORAL

Este painel foi moderado pelo Professor Doutor Carlos Sousa Reis que deixou a ideia a potencialidades para o litoral ao nível, entre outros, da náutica de recreio; turismo sol/praia sustentável; e energia das ondas. Todavia, advertiu sobre os vários impactos, nomeadamente ao nível de extracção de inertes e alterações climáticas.

Sobre esta temática o Professor Doutor Joanaz de Melo salientou alguns pontos, importantes a ponderar: a preservação dos recursos deverá ser uma atitude cívica; a economia está assente no meio natural, em particular na orla costeira; até ao momento a tendência é promover o desenvolvimento económico com base na degradação ambiental. Para reverter esta propensão há dois caminhos: um pela Educação e outro pela promoção de um desenvolvimento económico mais amigo do ambiente.

A designada gestão integrada do litoral é ainda um paradigma tendo em conta que há elementos que não se coordenam entre si (como o caso do mar e bacias hidrográficas). O conhecimento das zonas costeiras, técnico e científica, e respectiva dinâmica é, no rigor, muito débil, nomeadamente devido à falta de monitorização; convém gerir o litoral numa óptica de ordenamento do território, segundo a opinião do Professor Doutor Alveirinho Dias.

Para o Director do Parque da Ria Formosa – Eng.º Paulo Silva – o tema sobre as potencialidades do litoral pode parecer irónico, apenas solucionado com uma política activa de conservação da natureza. Esta requer um envolvimento de muitos meios humanos, equipamentos e fundos. Na realidade o POOC do sotavento está ainda por aprovar, o que não se compreende face às contínuas afirmações de prioridade para a gestão do litoral.

Segundo a Dr.ª Isabel Pires, representante do PNRF, a importância do Plano de Ordenamento do PNRF deverá ser um marco na gestão do litoral pois assenta no conhecimento técnico-científico da época; pois gerir os multiusos do litoral e conflitos da sua utilização é complexo. Nas acções levadas a cabo pelo PNRF estão subjacentes mensagens de educação e cidadania ambiental.

Sob a perspectiva de um jornalista de ambiente - Dr. David Silva e Sousa - as oportunidades para o desenvolvimento de acções no litoral centram-se em quatro temas: Construções clandestinas na Arrábida; subida do nível médio das águas do mar/alterações climáticas; declínio dos stocks costeiros e discurso dos oceanos. Estes quatro temas são um bom argumento para intervier activamente em questões fulcrais da sociedade actual; mais que não seja pela “pedagogia da catástrofe”, tão referida por Viriato Soromenho Marques.

Após uma breve síntese da ordem de trabalhos e respectivos assuntos tratados, expõe-se aqui as conclusões do Seminário Coastwatch 2004/05 – As Potencialidades do Litoral:

  • Reafirmou-se a necessidade de continuar a preservar o litoral, através da aplicação de políticas concretas os diferentes domínios;
  • Reforçou-se a importância de parcerias, institucionais ou não, para a concretização do projecto deste cariz, como fio condutor na resolução dos problemas identificados;
  • As opiniões foram unânimes: o Coastwatch é um bom instrumento de actuação no terreno, para identificar factos reais e “dar voz” a quem de direito;
  • O seminário despertou o interesse dos participantes para o envolvimento em campanhas futuras, nomeadamente na região Algarvia;
  • As mesas redondas permitiram o debate sobre problemas locais com os quais alguns elementos da plateia se sentiram identificados;
  • Permitiu-se a formação que o GEOTA julga essencial ao nível dos professores, usufruindo de uma temática actual, interessante e motivadora como forma de progredir na carreira;
  • Promoveu-se o turismo local através dos vários workshops práticos e da visita promovida pela autarquia como meio de conhecer mais do património histórico de VRSA.

O espaço inter-cultural ofereceu um bom ambiente de convívio em simultâneo com a oportunidade de desfrutar exposições variadas (Coastwatch – As potencialidades do litoral; “Entre o mar e a terra” de Francisco Piqueiro; “Aves perto de nós” de António Quaresma; “Geocidadania” de Luís Afonso; “Litoral à noite” de Filipe Silva) e mostra de actividades típicas do Algarve (“Contar o Algarve em barro” de Rodrigues e Neto Lda; “Flor de sal” da Tradisal).

Os diversos workshops procuraram abordar um leque variado de questões que, de uma forma ou de outra, estão interrelacionadas com o litoral:

Workshop 1 - “Perfil de Praia”

A partir de uma breve apresentação da metodologia de realização dos perfis de praia os participantes tiveram oportunidade de construir um perfilador. Seguidamente, foram até à praia de Santo António, onde procederam ao levantamento do perfil de praia. De regresso ao Centro Cultural, onde decorreram as sessões teóricas, procedeu-se à reconstituição do perfil de praia que produz informações preciosas passíveis de serem utilizadas com fins científicos e para a gestão dos ambientes costeiros. Este método tem, ainda, grande potencial didáctico e é facilmente adaptável às exigências dos vários níveis de ensino.

Os participantes puderam comprovar como um perfil de praia, entre outras competências, permite aos alunos aprender uma técnica topográfica simples; a medir distâncias e elevações; a trabalhar com dados reais recolhidos pelos próprios; a aplicar na prática e a integrar conceitos aprendidos em disciplinas como a Física, a Matemática, a Geografia ou as Ciências Naturais; a observar e conhecer melhor o seu meio ambiente, nomeadamente a sua zona costeira.

Workshop 2 - “Litoral – Laboratório Didáctico”

Partindo dos pressupostos de um Projecto Educativo concreto e da experiência desenvolvida na Escola E. B. 2,3 Dr. João das Regras – Lourinhã, com o Coastwatch pretendeu-se levar os participantes a reflectir e sistematizar ideias sobre possíveis actividades que poderão ter o litoral como campo de trabalho, a desenvolver pelas escolas. Trabalho esse que não se esgota nos muros escola, mas cujo testemunho é importante passar para toda a comunidade local, procurando desta forma incentivar o desenvolvimento de parcerias para o desenvolvimento de projectos relevantes.

Workshop 3 - “ Arrojamentos de Cetáceos”

Este workshop procurou informar e sensibilizar os participantes sobre a técnica e importância dos arrojamentos de cetáceos recolhidos no litoral de Alcobaça. Toda a metodologia, utilizada neste trabalho, segue um padrão pré-estabelecido de forma a permitir uma comparação internacional dos dados, sendo estes enviados posteriormente ao Instituto de Conservação da Natureza com o objectivo de completar uma base de dados nacional.

Workshop 4 - “ Conservação da Natureza e Desenvolvimento Sustentável”

Partindo da observação da Reserva Natural do Sapal de Castro Marim, procurou-se sensibilizar e dar a conhecer aos participantes as potencialidades e problemas que esta área tão rica e frágil está sujeita.

Workshop 5 – “ Água e Cidadania Ambiental”

Partindo da observação do litoral e das bacias hidrográficas em geral pode partir-se para a realização de actividades de simulação (inclusivé de sala) que conduzam a uma abordagem integrada aos aspectos de cidadania e que nos ajudem a contribuir para um processo educativo completo dos nossos jovens.

 topo

 

 
página inicial